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Baloiço...

 

Que lembranças me invadem,
do meu  tempo de menina,
enquanto eu me balançava,
os meus sonhos espreitava na esquina...

De cabelos soltos ao vento,
só presos pela inocência,
sorria eu ao futuro,
sem dele ter consciência...

Foram dia...foram anos,
passadoss naquele jardim,
por entre flores e baloiços,
crescia eu dentro de mim...

lembro dos joelhos esfolados,
das lágrimas bebidas a correr,
porque a vida passa depressa,
e eu não a queria perder...

E ela lá foi passando,
e eu não regressei ao jardim,
mas o vicio do baloiço,
vivia no intimo de mim...

A maturidade foi vindo,
roubando de mim a candura,
da menina apenas restou,
a minha inviolável loucura...

Tornei-me mulher sabedora,
do meu corpo e dos seus desejos,
as fantasias brotavam,
na volúpia dos beijos...

Fui cumprindo a minha sina,
que de pele na pele era feita,
até que nos teus braços um dia,
me senti eu desfeita...

Desfeita por esse Amor,
que me ias dando à alma,
e do meu corpo ia roubando,
a sua paz e a sua calma...

Fui-te amando como mulher,
desejando-te como criança,
nossos destinos foram se misturando,
como os cabelos da minha trança...

Foi no balanço do teu corpo,
que voltei ao velho jardim,
os sonhos esses já não me espreitavam,
pulavam dentro de mim...

Segura em tuas mãos,
soltei o corpo alado,
que de inocente já nada tinha,
queria apenas ser decifrado...

E tu leste nas entrelinhas,
daquilo que nunca te falei,
tocaste-me os segredos da pele,
e eu tudo a ti te entreguei...

Sentada no teu desejo,
regressei eu ao passado,
aos meus tempos de menina,
e ao meu baloiço adorado...

*** Ártemis ***


 
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